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Católicos mantém tradição de não comer carne na Sexta-Feira Santa

Para alguns católicos, praticantes ou não, que deixam de comer carne vermelha nas quartas e sexta-feiras da Quaresma, período entre a quarta-feira de cinzas e o domingo de Páscoa, a Igreja considera pecado a quebra desta tradição que vem sendo mantida geração após geração. O padre Ronaldo Cardoso, pároco da Igreja Nossa Senhora de Fátima de Itamaraju, fundamenta no Código de Direito Canônico a abstinência da carne nesse período uma forma de sacrifício pela morte de Cristo e também como um gesto de solidariedade para com as pessoas que padecem de fome, e portanto, – obrigatório.

A atual norma da igreja é que sejam praticados atos de penitência na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. Nesse caso, o fiel é aconselhado manter a tradição e abdicar-se de alguma coisa que goste muito, como o refrigerante, sorvete ou cigarro.

Quanto à carne, a sugestão é de abstinência do alimento. O padre Ronaldo considera, o ato de comer carne neste período um pecado. Ele afirma existir uma indisposição das pessoas em se privar de alguma coisa. “O mundo já sofre tantas privações, que acaba ficando difícil privar-se voluntariamente”, reconhece.

Conforme manda a tradição, além de não poder comer carne, na Sexta-Feira Santa seria proibido até mesmo realizar qualquer tipo de atividade, pelo menos até o meio dia. “No passado as mulheres sequer varriam suas casas. Não se podia também pagar ou receber alguma conta para não ter contato com dinheiro” afirma a dona de casa Maria Aparecida.

Maria Aparecida conta que em tempos remotos, na Sexta-Feira Santa era difícil encontrar carne para comprar, uma vez que todos os açougues fechavam suas portas. “Hoje, com o produto disponível em todos os supermercados e nas lojas de conveniência, já não é tão difícil fazer um churrasco nesse dia, que é considerado santo”, critica.

O religioso reafirma que atualmente a Igreja Católica evita as palavras obrigação e proibição. Mas aconselha a abstinência de carne vermelha como gesto de conversão.

“O jejum é uma tradição que surgiu na idade antiga e se consolidou na Idade Média, época em que pessoas humildes raramente provavam carne. Na época, o povo vivia em terras alheias e a carne vermelha era consumida só em banquetes, nas cortes e nas residências dos nobres. Ela tornou-se, então, símbolo da gula, associado ao pecado” finalizou.

 

 

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