A Justiça Eleitoral declarou o prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior (União Brasil), inelegível por oito anos subsequentes às eleições de 2024. A sentença, proferida pela juíza Wilma Alves Santos Vivas, da 25ª Zona Eleitoral, reconheceu fraude à cota de gênero na chapa de candidatos a vereador do União Brasil no município.
O processo teve como ponto central a candidatura de Euflozina Boaventura de Matos Santos, conhecida como Dona Flor. Segundo a decisão, foram considerados elementos como os quatro votos recebidos pela candidata, a ausência de movimentação financeira e a avaliação de que não houve campanha efetiva em benefício da própria candidatura. A defesa sustentou que Euflozina tinha intenção de concorrer e que sua participação foi reduzida após um acidente doméstico sofrido pelo marido.
À época da formação da chapa, Valderico presidia a Comissão Provisória Municipal do União Brasil e assinou o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP). Além da inelegibilidade, a sentença determinou a cassação dos registros e diplomas dos candidatos a vereador da legenda, anulou os votos obtidos pelo partido na disputa proporcional e determinou a retotalização dos votos.
A decisão não cassou o mandato de Valderico como prefeito de Ilhéus, já que a ação trata da eleição proporcional para vereador. A sentença é de primeira instância e pode ser contestada. O União Brasil informou que recorrerá e sustenta que a chapa cumpriu a legislação eleitoral e a exigência mínima de candidaturas femininas.



