Cabras retiradas recentemente da Ilha de Santa Bárbara, no arquipélago de Abrolhos, estão sendo estudadas por instituições de pesquisa devido à sua surpreendente capacidade de sobrevivência em um ambiente sem fontes de água doce.
Segundo pesquisadores da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e da Embrapa, os animais passaram mais de dois séculos adaptando-se às condições extremas da ilha, após terem sido deixados por navegadores no período colonial como alternativa de alimento durante expedições.
Ao todo, 27 caprinos foram removidos em três expedições entre janeiro e março de 2025, em uma ação conduzida pelo ICMBio, com apoio da Marinha do Brasil e da ADAB. A retirada faz parte do Plano de Manejo elaborado em 2023 e busca restaurar a vegetação nativa e garantir a preservação de aves marinhas, algumas ameaçadas de extinção.
Os animais agora servirão como base para pesquisas genéticas. De acordo com o professor Ronaldo Vasconcelos, especialista em zootecnia da UESB, a adaptação pode estar ligada a características únicas do DNA dos caprinos. “Eles sobreviveram em um ambiente sem água. Essa resiliência pode estar registrada no material genético, e a ciência deve confirmar isso”, afirmou.
Para o gestor do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, Erismar Rocha, a remoção representa um avanço duplo: a conservação do ecossistema e o estímulo à pesquisa científica.




