Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelou que um conjunto de corais na região de Abrolhos, no extremo sul da Bahia, está ameaçado por mudanças climáticas e ações humanas, mas não conta com proteção ambiental. Publicada na revista Ocean and Coastal Research, a pesquisa sugere que áreas importantes, como os bancos de rodolitos e as buracas, estão fora dos limites das atuais áreas protegidas.
O Brasil já protege cerca de 26% de sua área oceânica e caminha para cumprir a meta 30×30 do Acordo de Biodiversidade, que visa a proteção de 30% dos oceanos. Contudo, a distribuição dessas áreas de proteção não abrange habitats cruciais, como os bancos de rodolitos, cujas taxas de proteção são alarmantemente baixas.
O pesquisador Guilherme Fraga Dutra, coautor do estudo, destaca a necessidade urgente de ampliar as áreas protegidas, especialmente na região dos Abrolhos, reconhecida por sua biodiversidade única no Atlântico Sul. Ele sugere que a implementação da APA estadual Ponta da Baleia Abrolhos, criada em 1992, poderia ser um importante passo para proteger esses ecossistemas.
Dutra também menciona que a regulagem não precisa exclusivamente partir da União, e que iniciativas da sociedade civil, como o coletivo Abrolhos para Sempre, são fundamentais para mobilizar a população em prol da proteção da região. O fortalecimento das áreas protegidas é visto como a forma mais eficiente de garantir a preservação das zonas ameaçadas e combater as ameaças diretas, como a mineração e a pesca predatória.



