A Polícia Federal e a Polícia Civil da Bahia investigam os ataques armados contra comunidades Pataxó na Terra Indígena Comexatibá (Cahy-Pequi), localizada no município de Prado, no distrito de Cumuruxatiba, no extremo sul baiano. Há suspeitas de participação de policiais militares nos confrontos.
Os ataques ocorreram no dia 1º de outubro, quando lideranças da Aldeia Kaí realizavam uma atividade de vigilância comunitária. Cerca de 50 homens fortemente armados cercaram os indígenas e efetuaram disparos. Dois líderes foram atingidos — um de raspão na cabeça e outro na clavícula — e sobreviveram por pouco. Segundo as lideranças, os agressores seriam contratados por empresários locais interessados nas terras.
A Força Nacional de Segurança Pública foi acionada e conseguiu conter a ofensiva após chegar à região. Os indígenas relataram que os agentes interceptaram um ônibus escolar com dezenas de integrantes do grupo armado, entre eles adolescentes, supostamente contratados para participar dos ataques.
Os conflitos também afetam comunidades na Terra Indígena Barra Velha, em Porto Seguro, a cerca de 200 quilômetros de Prado, onde os Pataxó também reivindicam o reconhecimento de territórios tradicionais. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério dos Povos Indígenas informaram que reforçaram a segurança e avançam no processo de demarcação fundiária. Além disso, foi criado o Laboratório Etnoterritorial do Sul da Bahia, para monitorar políticas públicas e conter a violência contra povos originários.



